quarta-feira, 17 de junho de 2009

Vulnerável...



Vulnerável demais a qualquer sorriso, caminho
Caminho como quem caminha bêbado sozinho
Ou como quem ainda, de tão novo, não se pode equilibrar
Apaixono por uma forma de vida que desconheço
Nem sei viver ou contestar
Atormentado com beleza demais o dia todo na mente
Me entrego e me desintegro facilmente
Perante tuas palavras como papel de molho na água
Como chá de saquinho diluindo-se na mágoa
Vulnerável demais, eis minha sentença:
Fazendo contas, colocando as coisas no eixo
Até cruzar com sua presença
E sem querer derrubar o queixo
E esquecer o som de tantas ordens
E desencaminhar a natureza dos próximos metros
Vulnerável demais, como soldado inimigo
Capturado na batalha, sujeito a tortura, a falhas
Vulnerável demais, sou eu neste instante
Andando sobre altos edifícios com vertigem
Com labirintite, deslumbrante
Com os olhos vendados
Vulnerável demais
Como um refém com os braços e pernas atados
Como aposentados vigiados por bandidos
Andando só na Sé, na lapa
Presa fácil, como bola quinze na boca da caçapa
Como em cidade estranha a andar só na rua
Vulnerável a qualquer palavra tua
Vulnerável demais rumo ao buraco que miro
Vulnerável demais a qualquer sorriso... ou tiro!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Crônicas



Eu já tentei combatê-la
Foi em vão admito
Essa dor que me persegue
Sabe meus passos
Conhece meus gritos!

Eu já tentei vencê-la
Colocar nessa angustia um fim
Mas se não posso vencê-la
Ela não pode a mim

Aprenderei a suportá-la
Mudar o foco e fingir não vê-la
Mas sei que Ela sempre estará aqui
A me alfinetar para eu não esquecê-la

Eis sua sina, eis sua tônica...
Me fazer percebê-la dia a dia
Todas as minhas doenças são crônicas
Todas as minhas palavras, poesias!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Avenida...


Vida é Avenida
Travessa, problemas
Ao final dela, a saída
Ser feliz, é o lema

Vida é Avenida
Pista rápida
Imprevisível
Carros, semáforos
Pessoas, obstáculos
Pouco tempo
Muito espaço
Muita briga
Nervos de aço!

Vida é Avenida
Reta imensa
Na qual uma disputa se traça
Aceleram, te xingam
Buzinam, te passam!

Correm. Adrenalina
Voam baixo, sonham alto
Vida é Avenida
Morte, asfalto!

domingo, 31 de maio de 2009

Monólogo - Identidade


Diante do espelho:
Parte I
Messias! Uma voz grita aqui dentro
Messias! Insiste a voz
Messias não responde, ele chora
Só consegue chorar!
E jogou a toalha fora
E jogou suas roupas fora
E jogou sua vida fora
E quis ir embora
E quis estar
E desejou estar... e um lugar onde ele, Messias,
Não o pudesse achar
E se olhou queixoso no espelho, queria brigar...
Só conseguiu se lamentar:
Messias! E se perguntou: por quê?
E pensou aquilo que se pensa:
Por quê? O que eu fiz! O que há...
E jogou tudo fora
Mas algo ainda o acompanha
Algo sempre fica, algo sempre mora
A dor é a ultima a sair, dá voltas, faz shows... enrola
Seu corpo nu e branco vai se atirar na cama
Feio, bonito... mas ele! O corpo que ele tem!
Algumas músicas chegam para entendê-lo
Musicas que só ele pode ouvir
Alguns diálogos o chamam para algumas responsabilidades
E nesse mar nostálgico, claro as lágrimas batem cartão
Mas as lágrimas cessam...
A dor mais triste é seca!
Messias! Uma voz grita dentro da cabeça
Messias, você me enganou!
Messias, você se fez passar por alguém que não era
Você nunca foi aquilo que me mostrou
Messias, por quê? Você sempre foi uma história mal contada
Que eu... que nós, que todos nós, líamos sem cessar
Messias, você, que não existe... e, é você que amo
E, Messias, essa dor da tua não existência
Que me causa um amor desamado, tende a não passar!
Porque há uma voz que surge dos teus mais profundos pensamentos
Que me diz, que me acusa, que me clama: Messias, por quê?
Te amaria Messias por tudo que não é
Mas me fizeste amar alguém que você inventou
Todas as dores eu suportaria Messias
Mas agora, perante tua face limpa
E confesso que, até bonita, a esperança se enforcou!

Parte II
A imagem do espelho se decepcionou comigo
Mas ela não sabe muito de mim
Eu tenho mil faces
Cada qual para uma pessoa
Face séria, dura, brava, sinistra
Alegre, rancorosa e pessimista
Mil faces e uso cada qual para uma circunstância
Se você pretende me entender, pegue suas faces
E venha até a mim, encurte as distâncias
Eu sou de fato todo falso, todo errado, meio bobão
É bom que esteja ciente que o cliente...
Tem sempre razão!
Se nem eu me entendo, se nem eu sei de mim
É muito dura a tua missão
Sou todo atrapalhado
Triste e feliz, complexo e desanimado
Da verdade eu tenho o nome
E do pecado sou sinônimo
Não sou certo e nem errado
Sou anônimo

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Barata tonta


Às vezes sou como um inseto
Sei lá, talvez uma barata
Carrego cravado junto ao peito
Um desprezo universal!
Sou quase inofensivo a humanidade
Levo pancada e não aprendo
Mas não me rendo
Grito, comemoro
E ignoro todos que querem me parar
Fugindo sempre dos mais fortes que eu
Sou eu barata tonta
Você conhece a vida de uma barata?
É uma vida estranha
É uma vida pacata!
Ela sai detrás das coisas
E corre sempre que é percebida
Com um reflexo sem igual
Adentra por detrás da pia
A vassoura a persegue
Porque sua presença
A todos causa alergia
E ordenam que a matem
E sobem em cima da pia
Sobem em cima da cadeira
E com o rodo tentam esmaga-la
É quando ela surpreende
E se põe a voar
Rapidamente se esconde
Atrás de onde
De onde ninguém a vê
Com olhar atento o pé toca
Com um certo medo
Com um certo nojo o chão
A barata então voa
E tudo foi em vão
A vassoura a atinge
Em pleno o vôo que parecia perfeito
A barata cai no chão
E quando todos comemoram
A barata se levanta
Ela é forte, ela novamente anda
Arrastando o corpo
Nunca olhando pra trás, a perna que perdeu
A xingam de desgraça
Querem sua morte a todo custo
E a barata sobe na pia
E a todos afronta
Engraçada essa barata...

Engraçada não, tonta!

domingo, 17 de maio de 2009

Idéias e ideais

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Levando um lero com Deus...


Eu poderia falar hoje aqui... sobre a gripe suína! Ou então tecer elogios ao craque Ronaldo... já que estamos divagando a todo sobre atualidades fresquinhas... poderia ir ao longe e ser complexo falando sobre a influência da Maçonaria nos grandes feitos mundiais. Mas droga...! Hoje é um dia especial... não é?! Acho que sim... No dia 13 de maio foi assinada a lei... a lei... da abolição escravatura? Bom, não poderia falar de tanta coisa assim! Haja vista que ando meio limitado. Preguiça de pensar talvez! Vamos voltar no tempo, mas bem menos... Em 13 de Maio de 1983, em uma sexta-feira aparentemente normal, nascia Messias Vilela de... de nada! Messias Vilela! – disse meu pai - "Pra que tanto nome em uma criança tão pequena!" - É exatamente aí que entra aquele velho bordão: “Para os pais, os filhos nunca crescem.”Bom, estava eu no reino dos céus juntamente com todas as majestades celestiais, anjos e querubins e aguardandos - Aguardandos?! - É aguardandos... aqueles que iriam nascer nos próximos minutos também. Eu já ia descendo a ladeira rumo a uma vida carnal, quando fui chamado por um sujeito todo sério e engomadinho... sério, tinha arquinho na cabeça coisa nenhuma, tampouco asas, cabelos cacheados ou coisa do gênero! Tinha cara e jeitão de político, mas era um representante do mais alto não-sei-o-que do céu! E com uma voz, aparentemente normal, nem fúnebre, nem rouca, nem estridente me disse: "Hei você aí? Qual seu nome?" Ironicamente eu respondi ao sujeito: "Que nome? Endoidou? Se não nasci ainda... como assim qual é seu nome?" "- É... você tem razão..." - coçando a cabeça, me apontou, o santo, uma porta e ordenou: "Vá até lá, o homem quer falar com você antes de descer!"Eu analisei bem a situação e o questionei: “Até hoje sempre me proibiram de ir até aquela porta, ficaram com coisa... e coisa, eu não vou até lá nada...- Mas você tem que ir, senão o homem vai ficar enfurecido! - Deus enfurecido? Relaxa... Deus é um cara do bem!- Mas quando alguém o desobedece, sua ira se volta contra esse alguém, seja quem for!- Ah... e Ele fará o que comigo?- Você é abusado hein, rapazinho, nem queira saber... quero nem pensar... é possível que ele nem te permita nascer!- Mas você é dramático hein... São...- Benedito, hoje é 13 de maio, sabia? São Benedito! - eu não sabia, mas para cada um que vai nascer, fica um Santo do dia... responsável pelos preparativos do pré-natal celestial.- É melhor ir logo! - me alertou o Benê todo amedrontado! – "Se não já sabe!"- Não, você que não sabe das coisas lá embaixo... Deus não vai me impedir de nascer... Deus é contra o aborto! Será que Deus não pode vir aqui...? Olha o trabalhão... depois andar tudo isso de novo... já estou aqui quase na porta... só descer!- Não, Deus não pode!- Claro que pode! - Desafiei o santo - "Deus... pode tudo!"São Benedito me puxou pelo braço e disse: "Já chega rapazinho." - e abrindo a porta secreta me atirou na frente do altar do Senhor! Perante o qual não pude ver nada... logo pensei: tão secreta a porta, tanto mistério... pra entrar aqui e Deus se esconder de mim!Bom... Deus de fato lia pensamentos... e para essa dúvida me respondeu:- O que temeis filho meu! Porventura não lhe é sabido que ninguém pode ver ao pai... antes de ter antes carregado na terra a sua cruz?- Você quer dizer que eu vou ser crucificado, senhor? Não é melhor que deixemos as coisas como são!- Não! Filho meu! Viver é necessário... E carregar a cruz não quer dizer, necessariamente, que você será crucificado!- Mas senhor, Vossa Santidade não acha que eu devo carregar a cruz de outro que será crucificado, acha? Não seria mais justo que cada qual carregasse a sua?- É...exatamente isso meu filho! O que digo é que não serás crucificado literalmente! Chamar-te-ei de hoje em dia para todo sempre de Messias!- Tem que ser Messias meu Senhor? Primeiro me diz que não serei crucificado... depois me chama de Messias! Não estaria sendo o Senhor, com todo respeito, por favor, um pouquinho contraditório?- De maneira alguma meu filho... além do que vós deveis saber que... seu pai se chama Messias e seu tio avô se chama Messias, e nenhum deles foi crucificado!- Senhor... posso te fazer uma perguntinha, mas não se zangue comigo! - O senhor me consentiu: “Por que ora a Vossa Santidade me trata por você, ora por vós... ora por tu!?- Para te testar meu filho... e saber se te farei um 'professor de homem'! Ou te darei outra missão!- Serei professor meu Deus? Só falta me dizer que serei brasileiro de Minas Gerais!- Exato, mas não na capital! Será do sul do sul do sul do sul... de Minas!- Mas Deus que futuro terei... como professor no sul do sul do sul de Minas?- Bom... isso você me responderá daqui um tempo... é hora de ir construir a sua história! Mas antes me responda a algumas perguntas básicas!- Estou nervoso, meu Deus!- Estreia é assim mesmo, meu filho...- Tudo bem!- Faremos o seguinte - disse o altíssimo – Chamarei o São Benedito que, será seu Santo padroeiro, para tomar nota das suas escolhas!- Ok! Disse eu.... Eu serei negro, Senhor?- Não!- Por que o Benedito então? Por que não serei negro?- Porque você escolheu ser branco!- Mas ainda não começaram as perguntas...- Mas seus pais são brancos!- Ah ta...- Então: azul, verde ou preto? - questionou-me o Senhor.- Preto! - São Benedito anotou no quadro escuro: Olhos e cabelos pretos!- Sanguíneo, Colérico, Fleumático ou Melancólico?- Melancólico – Benê anotou!- Inteligente e pobre, burro e rico, burro e pobre, rico e inteligente... ou N.D.A- N.D.A- N.D.A? - Interrogou-me o Senhor – Essa é a pergunta mais aguardada por todos! Essa escolha é superimportante! E determinará o rumo de sua vida...- Mas Senhor... me causa estranheza essa sua inquietação! Não ouviste falar o senhor no versículo: “Aquele a quem muito será dado, muito será cobrado” E, eu... pela personalidade que escolhi a pouco... não gosto de cobranças...- O altíssimo me entendeu... e me entendi com Ele também... me entregou um envelope lacrado para eu abrir somente quando chegasse na terra! A esta ordem não obedeci de maneira nenhuma... porque eu sabia que na terra, levaria ao menos uns seis anos para ler o que havia sido escrito naquela carta! Então abri o envelope e havia uma folha em branco... Na certa ali seria escrita a minha história...Mais uma vez eu ia descendo e Benê, me disse algo no ouvido baixinho... algo como “leve isso consigo” colocando no meu bolso uma pequena chave... nela havia uma etiquetinha escrita: “Chave das escolhas” Olhei Benê com ar de confuso... afinal, para mim já tinham sido traçadas todas as escolhas possíveis perante o altar do altíssimo.Benê sorrindo me disse: "Isso lhe garantirá o seu livre-arbítrio!" Em poucos instantes uma luz muito forte me cegou... e como que tomado por uma grande força qual um relâmpago, apareci chorando nos braços de um médico, todo sujo de sangue, sem entendimento algum... assustado, de cabeça para baixo... em frente a um sorriso lindo... que mais tarde pude entender... Era o sorriso de minha mãe! Que me tomou pelos braços, ofegante e me beijou a testa, naquele principio de tarde, de uma sexta feira, aos treze de maio de 1983...

domingo, 10 de maio de 2009

E rola a bola pra valer...




Futebol
Esporte coletivo
Que implica no ato de perseguir
Uma esfera ou circulo
Movendo-a através de toques
Leves ou não
Geralmente, mas não necessariamente,
Com os pés
Objetivando conduzi-la
A um quadrado retângulo
Denominado gol!
Gol
Momento único
Sem preço
Que faz da garganta nascer um grito
Em muitos milhões de endereços
E faz da bandeira um agito
Dos olhos descerem uma lágrima
E a explosão transpassa o apito!
Futebol
Muitos dizem que é ilusão
Muitos dizem ser fanatismo
Para muitos é adoração
Para alguns nem tem sentido
Mas só os loucos de coração
Entendem Futebol como paixão
E gol é orgasmo que se expressa
Com um grito!
E apaixonado que sou eu
Declaro que só quem já viveu
Poderia tê-lo descrito!

sábado, 9 de maio de 2009

Ela tem razão


Hoje discuti com a minha mãe! Por qual motivo? Motivo nenhum! Pessoas mal agradecidas, quando acordam mal-humoradas, de muito mau humor, às vezes, discutem injustamente com as suas mães! E o pior, ela estava certa! As mães sempre estão certas, mesmo quando estão erradas. Ainda que tenhamos argumentos suficientemente fortes para um debate desgastante e inútil. Elas estarão certas! Ela é a minha mãe - e não eu a mãe dela - Dá pra entender?
Ainda assim, de cabeça quente, inventei mil falsos argumentos para provar que estava certo. Não consegui. Na hora pensei em pegar a minha moto e sumir pelo mundo - bobagem minha, eu não tenho moto -. Tenho sim uma linda mãe! Além do mais, nós sabemos que, os covardes sempre fogem. E, como não tenho moto, me tranquei no quarto. Pensei umas duas horas, o mesmo que pensamos quando estamos de fora da situação: discutir não leva a nada!
Então saí do quarto e abracei a minha mãe. Pouco, muito pouco perto do filho que eu deveria ser! Não vou me justificar dizendo que há filhos piores, pois estas justificativas, às vezes nos enganam, nos dizendo que se há um outro pior, há um espaço para que possamos errar!
Reconheço meus erros. Tanto que em oração pedi ao Papai do céu que desse uma mãe igualzinha a minha para todos que não têm! A todos que deveriam acordar todas as manhãs e procurar por um abraço apertado de suas mães. A todos que foram deixados por elas - que abandonaram não só uma criança, mas talvez, aniquilando sonhos que, se não foram interrompidos com um ato de aborto durante a gravidez, abortados muitos estão agora. Mães que não são mães. Mães que não são exemplos para ninguém. Pedi uma mãe, como a minha, a todos que por algum motivo, que não se entende bem, elas os deixaram. A todos que não receberam essa dose diária de carinho e afeto - que nos é tão necessária para termos segurança para seguir em frente!
Pois é de nossas mães que vêm a estrutura da qual precisamos para enfrentar a batalha, seguir na luta, alimentar nossos sonhos que, sem elas, seriam muito distintos. Pois se tivéssemos sido deixados por elas. Moraríamos onde? Viveríamos como? Estudaríamos? Talvez, tivéssemos sido levados a um orfanato onde uma família que não pudesse ter filhos fizesse nossa adoção. Mas talvez, e muito provavelmente, não. E então, como seriam nossos sonhos?!
Claro, todos têm sonhos. Muitos sonham com um mundo lindo sem cercas pelo caminho. Uma vida repleta de sorrisos e dinheiro para gastar. Passar a vida em viagens conhecendo os mais lindos lugares... Fazer milhões de amigos, ter muito tempo para estar com eles. Trabalhar muito pouco e ganhar muito. Não ouvir mais falar em guerra, nem sem terra, morte ou doença hospitalar. Eliminar do mundo as pragas e os assassinos, os bandidos e alguns líderes políticos. Eliminar também as casas de prostituição, (alguns não) e as armas usadas para matar... apaixonar-se muito, viver intensos momentos de liberdade e prazer. Ter histórias para contar. Aproveitar ao máximo a juventude e se der, aos trinta, com a pessoa mais perfeita que exista, se casar!
É comum que fiquemos tristes quando pensamos que no mundo tem milhões de problemas, dentre eles, os que gostam de nos governar... e saber que fazem pouco da gente e que temos poucas chances para mudar tudo isso, tudo o que é injusto, tudo o que é falho no sistema.
O mundo é tão grande e tão cheio de problemas que até que consigamos limpar a cozinha a sala já vai estar suja novamente. (Como coberta curta.) O que devemos saber é que se você não pode limpar o mundo, pode limpar, ao menos, sua casa. A sua vida... A sua ficha. Sua barra. Você não pode fazer o mundo inteiro parar de sofrer mas você pode fazer seus amigos sorrirem. Você não pode enxugar todas as lágrimas da humanidade, mas pode descruzar seus braços para mais um dia que Deus te permitiu viver. Você não pode acabar com o crime e a violência do mundo, do país, de sua cidade, mas pode acabar com a violência que vem de dentro de você. Você não pode falar ao mundo todo palavras de conforto, mas pode ouvir todos que fazem parte do seu. Você não precisa ser o melhor nem se cobrar o dia inteiro mas não caia no relaxamento, não seja o pior no que faz, não se deixe vencer pelo cansaço, não dê de ombros ante as cobranças que surgirão, não deixe de se cuidar nunca e não fique dormindo neste maravilhoso dia de sol! Você não pode parar a guerra, mas saiba que a guerra e nem líder nenhum na terra podem parar você!
Nossa fé é microscópica e somos, às vezes, muito egocêntricos... não deixamos sequer o acusado se explicar. Não damos valor ao que vem dos outros. Não queremos ouvir opinião alheia. Gostamos de ser nós por nós mesmos. E quando nos vemos sozinhos, clamamos de solidão. Temos tudo para levar uma vida digna, sermos amados e darmos amor. E por que será parece ser tão difícil?
Eu não tenho poder algum contra tudo isso, exceto o que deve ser mudado em mim. Não tenho poder sobre o terrorismo, mas a miséria é um terror ainda maior! E nós que temos o que comer, o que vestir e onde morar, mesmo sendo de aluguel ou de favor. Acho que temos a obrigação de buscar pela felicidade - e se não fazemos - devemos nos perguntar: será que o erro está no resto do mundo, ou está dentro de nós?
É muitas vezes no trabalho, entre um telefonema e outro, quando parece que sempre falta alguém que lhe dê atenção, que lhe olhe de uma forma especial, que surgem as maiores reflexões sobre a vida. E entre elas, a maior é esta: Eu te amo, minha mãe!


08/05/2005 - Messias Vilela

terça-feira, 5 de maio de 2009

Poeta do Escuro



Eu sou o poeta do escuro
Perco toda poesia
Se a luz é acesa
Ironia do destino
É no claro que não tenho clareza

A noite
A criação me incomoda
As muitas idéias não me deixam repousar
Estão todas ao estender de uma mão
Basta esticá-la e pegar!

Sou o poeta do escuro
Mas não do murmúrio
Poeta do escuro
Imaginando tudo quanto não posso ver...
Se a luz está acesa
Toda a minha imaginação se cala
E tudo volta a apenas... “ser”!

Não sou das trevas...
Não sou rei de nada
Não sou bom; nem ruim...
Não me vejo em cima do muro
Prefiro apenas o escuro
Pois é nele que intensamente brilho
e nada me atrapalha
É pelo escuro meu trilho
Nele, minha poesia não falha!

E poesia é vida...
É a poesia que faz do poema forte
Sem vocação nenhuma sou todo artista
Se me tirarem a poesia – já que esta é vida
E tudo o que em mim não é vida... sobro morte!

(porque a noite me presenteia...)

domingo, 3 de maio de 2009

Amores Quadrados

sábado, 2 de maio de 2009

Reestabelecendo a ordem


(... porque não se pode deixar perdidas as esperanças)


Tudo para tudo melhor ficar
De tudo que mais preciso e necessito
Precisava me calar
Já que não dá para falar nada
Gritar até ficar rouco
Pintar, ouvir...
Tampouco ler,
Fazer desenho
Preciso fazer alguma coisa
Para não perder o que já não tenho
Cuidado! Aqui vai meu aviso
Juízo!
Se anda desprevenido
Corre perigo
Se precisa fugir
Então vai
Já que da minha boca não sai
Poemas lindos, nem versos
Nem pensamentos... palavras boas
Sem intenção
Sigo tratando mal as diversas pessoas
Sem paciência para entendê-las
Nem sapiência para vê-las como são
Saber vê-las aliás
É o desafio que o meu coração me faz
Pé sem fé e fé sem sentido
Levam consigo
Vão todos com seus problemas
Todos têm os seus dilemas
E eu estou aqui cansando
Perdendo parafusos
Porque os olhos que uso para ver o mundo
Muito estão irritados
Errada está
E não é meu desejo
Está errada
a ordem de tudo quanto vejo!

*referente ao post anterior... agora para ser lido!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Enigmático



Vejo quanto tudo de ordem
a errada está
desejo meu é não
e está errada
Irritados estão Muito mundo
O ver para uso
que olhos os Porque
parafusos
perdendo Cansado aqui estou eu
e Dilemas Seus Têm Todos
Problemas Seus com Todos vão
Consigo levam
Sentido sem fé é fé Sem pé
Faz Me Coração Meu
O Que Desafio O É
Aliás Vê-las Saber
São como
Vê-las Para Sapiência
nem Entendê-las Para Paciência
Sem pessoas diversas
As mal tratando sigo
intenção sem
... boas palavras, pensamentos
nem versos nem lindos poemas
sai não boca minha da que já
vai então fugir precisa se
Perigo corre
Desprevenido anda
Se, juízo!
Aviso meu aqui vai
Cuidado!
Tenho Não
Já Que O Perder Não Para
Coisa Alguma Fazer Preciso
Desenho fazer
Ler,
Tampouco Ouvir, Pintar,
Rouco Ficar
Até Gritar Nada
Falar Para dá
Não Que Já
calar Me Precisava
necessito e preciso mais que tudo
de ficar melhor tudo para tudo
.
.
.
(desafio é me entender, e esse tem sido o meu desafio nos últimos tempos... eclarecimentos no próximo post)

Poesia do Poeta Principiante



Boa noite, senhoras e senhores
Homens e mulheres, jovens...
Damas e cavalheiros
Moças e rapazes!
Querido público inerte,
Proibido de aplaudir e de vaiar!
Este é um concurso para novos escritores de literatura brasileira
Que deverá eleger dentre todas
As milhares de poesias escritas e inscritas
Uma apenas para ocupar o patamar maior!
O posto de maior destaque,
Onde as luzes a seguirão,
Como se buscassem por um artista
Em um desses palcos montados pela vida...
Amigos, amigas, senhores jurados...
Senhores prometidos, combinados, envolvidos
Esta é apenas uma poesia
Que concorre na categoria... Livre!
Talvez desimpedida, talvez ao léu...
Bom, não importa na verdade sua categoria...
Na verdade o meu objetivo como autor e consumador de poesias
Nunca foi atingir o estrelato, nunca foi ser visto no mais alto hall da fama.
Pra ser sincero, tudo isso não importa, não a mim neste momento.
Esta poesia vem a público dizer que ela nada tem a dizer...
Esta poesia vem ao palco dizer que não sabe o que faz aqui...
Esta poesia sobe nesse palanque pra dizer que não sabe porque está nessa
Esta poesia vem dizer que o assunto acabou,
Sim, muito antes de começar!
Esta poesia quer gritar ao mundo que não quer ouvir:
Que não interessa a ela falar de amor,
Que não interessa a ela falar de economia,
Que não interessa a ela se o jogo vai terminar um a um.
Esta poesia poderia dizer a todos aqueles
Que insistem em não se retirar deste recinto
Que a verdade sobreviverá,
Não importa quantas mentiras se lançarem à sua frente.
Mas isso não importa a essa poesia...
Importa que tudo isso nada tem a ver!
E o que tem a ver?
Eu pergunto a minha própria poesia que de mim foge para não me explicar aquilo que eu fujo para não entender...
A poesia minha não quer saber
Se entrou nessa de concurso porque viu um cartaz no banheiro
E decidiu olhando pro espelho que iria participar....
Agora fica sem ter o que falar, sem ter a quem convencer, a quem reclamar
Sem saber qual é o assunto e quantas e quais palavras deve usar...
Sem saber se é legal falar da guerra, dos sem-terra, do Bush,
Do Afeganistão...
Do dólar, de futebol, da novela da globo, da Dolly ou do mensalão...
A poesia minha não sabe se fala mal da Cicarelli e segue atormentada a beira de uma grande decisão:
Assistir ao Gugu ou ao Faustão?
E teme dizer que por mais perto que estejamos
A globalização, é o mundo inteiro dentro de uma só mão....
E com a cara e a coragem, a poesia minha vem à praça central da vida,
Já embriagada pelos gritos da torcida, proclamar independência pra dizer
Que a poesia mesmo neutra, sem sentido,
Expressa na sua forma mais estranha,
Que talvez poesia hoje seja apenas amar....
Mas a minha poesia se descobriu nesta platéia...
Sim, quando já se via sumindo em meio a um longo discurso indeciso
Viu nas cadeiras desta sala,
O maior e mais lindo sorriso...
E por isso decidiu não falar de tristezas,
Refletindo nestas últimas linhas
O espelho deste século,
Que traz a público um novo papa,
Que traz a tona uma nova forma de ver as antigas coisas
Mas que também traz aos nossos olhos a chance para enxergarmos um novo sol, uma nova lua... E novas e lindas estrelas que nos permitam dia após dia sonhar....
Enfim, a minha poesia não está no palco, não está no mundo, não está nas guerras, nas decisões dos grandes líderes mundiais, não está sujeita a regras, a ordens, a cardeais;
A minha poesia não está na propaganda em meio aos tele-jornais, nos casos policiais...
Nas águas dos pantanais, em sons, vinhos e espinhos, nem está nos matagais....
Muito menos em terremotos, artes medievais, ela não está nos temporais...
A minha poesia não quer repetir os ditados antigos, nem ver o passado nem presenciar o presente futuro
Nada disso importa mais....
A única coisa que a minha poesia quer dizer neste instante
A todos que dela estão diante
É que ela, a minha verdadeira poesia, encontra-se na platéia, distraída...
Perfumada, florida...
Minha poesia que dorme enquanto eu discurso,
Embernada como um urso
É a mais bela poesia que meu coração tem...
E a tanto tempo me faz refém!
E vive agora seus últimos segundos
E evapora um a um todos os seus mundos
E chove em chuva cristalina...
E cai em forma de uma menina,
Que é pequena chave de uma grande porta...
Eis a minha poesia!
30/04/2005 (La se vão quatro anos)

domingo, 26 de abril de 2009

Tão Nossos


Tão nossos como nossas conversas
Hão de ser esses versos
Amarre-os junto ao peito e não os largue
Imagine que são palpáveis e segure-os, firmemente!
São teus, são meus... nossos versos!
Mereça esses versos que não querem falar tão somente de amor
Antes refletem a mágica sensação de estarmos juntos
A espera de um toque mudo e não menos profundo
Apago as luzes e estamos aqui ainda
Rindo de coisas que não sabemos explicar
Sem entender sequer do que falamos
Como se tivéssemos depois de meses sem nos ver
Nos encontrado em uma esquina
E não soubéssemos depois para onde vamos
E não soubéssemos ao certo de onde viemos
E o que fez com que pudéssemos nos encontrar
Como se trocássemos insultos divertidos na mesa de um bar
Estamos juntos, longemente juntos... na mente, juntos
Juntos para alcançar os mais altos objetivos
Que seja apenas na imaginação
Ou na poesia destas nossas palavras
Que lançamos um contra o outro sem qualquer perspectiva de ser
Sem interesse nenhum... nossos versos vêm e vão e ficam sempre aqui
Aqui dentro de nós... a fazer de lágrimas ligação entre emoção e vida!
Feche os olhos e receba então esses versos
Que são meus, seus, nossos... e carregue-os até os confins da terra
E quando não conseguir mais levá-los, não os prenda
Solte-os, pois aí já não mais serão seus, nem nossos!




quarta-feira, 22 de abril de 2009

Rotulado


Alguém ainda aqui?
Bebendo besteiras? Batendo boca? Brigando bravo...
Caçando coisas, catando cacos... cantando canções, comendo cravos...
Dando disciplinas, degustando doces, demonstrando dotes,
disputando damas, demarcando datas?

Enumerando exigências, enganando eu, experimentando energético, empunhando espada...
Fazendo força? Fazendo farra... famigerado, fabuloso, fazendo falta...
Ganhando guerras, ganhando garotas, ganhando gastos, gerando grosserias, grafando guardanapos, gritando gostoso (bem alto)
homens, heróis, heroínas,héteros, homos, histéricos, hipócritas? Há história? haverá harmonia? Haveria honra? (vitória)

Ignorandoo inevitável, ileso, iluminado, imprescindível, impressionado, impotente, impactado... há?
Julgando, julgado, juizado, jesuíta, justo, justificado? Há?
Lamentando, lamentado, lambuzado, lógico, literário, liberal, líder, lixo, luxo, haverá?
Mediando mesas, mudando móveis, mamando, mamado...
Maquiavel, malandro, maléfico, malfeitor, malicioso, malvisto, magoado, medroso,
Mercenário, mentiroso, missionário, misericordioso, moderno-moço, modesto, morto... haverá?
Naufrago, nu, ninguém, nazista, negligente, normal, noviço, necessário, neutro, nítido, notório, nebuloso, natural, numeroso... negando nada, haverá?

Objetivo ou oratório, obsoleto ou original, observador ou óbvio, ordenado ou obrigatório, oposto ou ovacionado, ostensivo ou ocioso...
Passando por problemas? Pagando por pecados? Pagando promessas? Poetas? Prisioneiros, príncipes, porquês, perguntas, presidentes? Piadas...
Querendo, queixando-se, questionando-se, queixudo, quadrúpede, quadrilátero, qualquer...
Razoável, receptivo, reencarnado, racista, ranzinza, recomendado, remunerado, refugiado, regenerado, reduzido, reedificado, resistente, recusado-ressuscitado, redutível, retrógrado, reumático, rico, risonho, rouco, roxo, rosa-rosado, revolucionário, ricaço, riquino, rico, ridículo,
Rebelde, romântico, rasgado, rangido, reciclado, reticência
Super-herói? Sumo sacerdote? Sentimental, semi-analfabeto, semi-deus, saudável, sóbrio, seco, silencioso, seguro, sensível, sátiro, submisso, social, sossegado, sozinho, suspeito, sutil, haverá?

Temido, tatuado, trapaceiro, temporário, terceirizado, tímido, transgressivo, tuberculoso, trêmulo, traumático, trapezista, haverá?
Universitário, ultrapassado, ulceroso, usuário, urologista, ultra-sensível, unilateral, uniformizado
Veloz, vadio, valorizado, velado, versátil, vulnerável, vigia, vigiado, vítima, viciado, vinculado, vulgar, visível, vitalizado...
Xoxo, xerife, xarope, xereta (chato)
Zeloso, zangado, zanzando, ziguizaguiando, zodíaco, zoiudo, zoiado, zoando, haverá?

Alguém aqui comigo
dentre todo o alfabeto
que foi ou não citado
simples ou discreto,
ou em qualquer estereótipo que lhe couber,
que alguém te puser, quem saberá... haverá?
(Na busca por velhos conceitos)

domingo, 12 de abril de 2009

Ausência




Não é só saudade
e nem é tristeza
Não chega a alegria
tampouco fraqueza
não se limita a uma
lembrança
um passo de dança...
A ausência não anula o verdadeiro
E essa verdade não anula tua ausência
(e tudo faz tanta falta pra mim)

quarta-feira, 8 de abril de 2009

A sua Missão


Nós todos nascemos já com um problema. Meu Deus! Que dura é a vida perante o espelho! Enxerguemos a ela como se não existisse dor. Mas diante do espelho a dor é mostrada. Você, sua vida, sua estrada...
Amigo, amigo, amigo, longa caminhada... Mas breve, muito breve sua jornada
Nascemos e somos preenchidos por um vazio. E a vida tem um único sentido: preencher esse vazio! Nos primeiros anos é simples: Imite aos outros e aprenda! Aprender é uma forma de se encher. Sim, se tem tanta coisa para aprender que a gente nem nota que exista sentimentos como solidão, vazio, falta. A gente ainda não tem muita saudade, por razões até meio obvias. E quando se aprende a andar, tudo é festa. Porque nesta fase se abre um leque imenso de possibilidades – para quem já aprendeu a caminhar, o mundo não é tão grande assim. Tudo passa a estar ao alcance das mãos. Mas para cada coisa há um tempo. E esta é a fase de brincar! E depois... brincar, brincar, brincar. Nesta fase, dependendo da necessidade de seus pais, pode ser que você seja levado a uma creche, escolinha, CEMAE, coisa do gênero. Pode ser que você dê uma imensa sorte e seus pais tenham muito tempo para amá-los. Sim, ainda que você tenha o resto da vida para se sentir amado, amor nunca é demais. Ainda mais nessa fase. Todavia, se por um lado, ir para uma creche ou escola a gente perde um pouco da atenção dos pais, a gente lá tem o convívio com outras pessoinhas como nós. E isso é muito bom! Aprendemos cedo demais a conviver com pessoas. E isso, isso levaremos para toda a vida. E tem mais um atenuante: os nosso pais cheios de um sentimento chamado saudade – que nessa época a gente começa a aprender o que é..., - vão nos encher de abraços e beijos e carinhos... ah sim claro, e perguntas! Se acostume, principalmente com a parte das perguntas; pais... os pais fazem perguntas!
Então tudo nessa época é muito bom! Todas essas atividades, sem muito compromisso, fazem de você uma pessoa cheia de algo que, por hora, chamaremos de felicidade! Vale lembrar que tantos são os sorriso quanto as lágrimas. Mas lágrima é outra palavra a qual devemos nos familiarizar muito cedo.
Pois bem, aparentemente não há vazio nenhum em você! Você se enche disso tudo. E quando você tá no auge da brincadeira, apostando na vida, achando ela um barato... vem alguém e corta suas asas! E você, cai alto demais! Alguém te tira dali do meio do seu natural e te coloca em outro lugar. Um lugar onde você não pode brincar a torto direito. E alguém te regra - diferentemente de regar; - alguém que você teme te impõe limites. Há temíveis linhas amarelas nos chão: “Não pule o muro, pois de lá do muro é escuro” E outras coisas mais... e muuuitas outras mais. Você então é obrigado a vomitar tudo que acumulou no decorrer de mais de seis anos de vida. Joga tudo fora – a vida não permite que você seja assim pra sempre – e esse golpe é duro! Todavia é preciso um outro desafio: ser feliz na segunda fase da vida.
Para isso, preencha novamente o vazio! Agora, na escola! É nela que você... descobre outras coisas, faz outros planos. Aprende, faz amigos, descobre o beijo
E preenche este vazio... aí vem a vida de novo e te joga em um lugar diferente. Um lugar onde alguém que não se sabe quem. E não se sabe o porquê dessa sua atitude te apresentará alguns sentimentos que você precisará conhecer e, como tudo que venho dizendo, levará pro resto da sua vida! Sim, meu amigo, chega a adolescência. A vida com unhas de águia arranca tudo o que tem dentro de você te tranca no teu quarto, liga o som no ultimo e te atira pedras e te ensina a viver. Você então chora, questiona a vida e se pergunta: por que vivo? Que vazio é esse? Você o percebe pela primeira vez... Mas nessa fase, você o derrota, prossegue, levanta a cabeça e se enche!
Encontra amigos que pensam igual, festas, namoros, beijos, sexo... Ah... você passa por essa fase...
Surge então a cobrança: a vida lhe aponta o dedo grande e grita: A vida não é só curtição, onde está a responsabilidade? E ela surge, disfarçada de emprego, de faculdade... Você então põe num grito terrível num lugar escuro pra fora tudo que te encheu e parte em busca novas coisas – a busca é agora a realização profissional. E você a encontra, faz provas, sobe de cargo, seu salário até aumenta! Três por cento, mas aumenta... Você se enche, se forma! Que bom!
E aí bate um desespero! Você leva as mãos a cabeça e pergunta:
Pós-graduação? Namoro? Você engravida num momento impensado. Queria se encher de prazer e se encheu de problemas, de contas, de dor! Mas no meio do desespero surge uma luz: Um filho é sempre um estímulo. A alegria de ver aquela criaturinha tão linda enche você quase que por completo! Talvez nesse momento te encha até a boca... mais! Bem mais! Você transborda! Se vê satisfeito... das suas obras, dos seus feitos, o mais lindo!
Você prossegue, seus filhos crescem. Você caminha e vai preenchendo os vazios.
Todos eles, de fase em fase. Um a um...
Seus filhos se casam... Você passa a morar só. Seu companheiro ou morre ou te larga. O vazio parece infinito... (a esse chamarei de solidão) Mas não é infinito, você consegue ainda assim amigos. Pessoas te ligam, você sai. E arrumou um serviço novo e gás para uns vinte anos! Não fossem as desavenças da vida. Ela quer às vezes te provar e inventa umas dores, doenças e um tal de cansaço, cresce o desânimo. Este, quer te desestimular a fazer coisas que preencham seu vazio!
Este momento é crucial, você se vê só. Muito só! E acredita erroneamente que não tem pique para fazer aquilo que preenche seu vazio: “ é o fim” – você se lembra de tudo o que já passou na vida. E pensa realmente que é o fim!
Muitas vezes bate à porta a morte. O último estágio deste vazio. Mas você está vivo ainda, precisa entender que seu corpo muda. Sua cabeça muda, seus sonhos mudam, os lugares mudam. E aquilo que te satisfaz tem que acompanhar sua força. E então, você descobre um prazer qualquer: costurar, pintar, escrever, ler... Um pequeno-mais-grande-prazer; ouvir músicas... caminhar; e enche seu vazio! E prepara-se para morrer feliz, você enganou sabiamente a vida, a dor, o tempo! E conseguiu chegar ao fim da vida cheio, cheio de coisas boas e talvez vazias para contar!

( Mas será que não pode ser diferente? Me dê a mão e vamos preencher todos os nossos vazios juntos)

domingo, 5 de abril de 2009

Anônimos



Para alguns é o inconveniente
Intrometido, covarde, bobão
Para alguns, para mim não!
Com suas criticas e sugestões
Sem expor-se
Divide opiniões
Mas diz o que muitos temem
Fala o que se precisa ouvir
Tem o dom da sinceridade
E isso sempre falta por aqui!
O anônimo é a mais divertida das pessoas
Por não ter face usa a faceta de todas (qualquer uma)
Por não ter corpo usa um corpo qualquer
(Qualquer coisa como um espírito)
Por não se explicar
Diz as maiores verdades
Diz as maiores mentiras...
E ri! E se diverte...
Pela certeza de não ser encontrado
Provoca e desafia!
E, passa trote! No disque denúncia, me denuncia
Revela segredos, faz confissões
Mensagens da web...
Ligações de números confidencias; desconhecidos
Tem seu papel social, é importante e ativo!
O anônimo é brincalhão, inteligente e prestativo!
E é anônimo todo aquele que não quer aparecer
E é anônimo qualquer um visto ao lado de um famoso
Mas cuidado! Companhia famosa
Torna o anônimo um conhecido!
Anônimo é um ser sem juízo!
Ahhh mas sim, Senhor anônimo
Seja muito bem-vindo
Travaremos grandes diálogos se preciso
Aqui é nosso espaço
E identificar-se não é de todo preciso!
Anônimas são também todas as pessoas
que vemos nas ruas e sabemos quem são
e não sabemos para onde vão e o que há com elas
e claro, de igual forma anônimos somos
para cada uma delas
o anônimo é um sábio, nunca covarde
não quer glamour, faz grandes coisas
e se abdica de ser homenageado
engrandecido! Não quer Status de herói
é bonito!
Mas eu bem que te conheço Sr Anônimo
Conhecido és por tuas palavras
Teu não com A dobrado
Teu tom de voz
que deixa transparecer sentimento
Em tudo que diz,
que faz as palavras saltarem e atingirem a gente!
Por tua franqueza que tanto me faz bem
Por se manter no anonimato é que me identifico
Não tenho pretensão de ser reconhecido
Te admiro! E se é que tens sexo, eu me casaria contigo!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Rito de paz


Antônio abriu a geladeira. Estava suado, tinha um gosto amargo na boca. Queria algo diferente de tudo que avistou: leite, suco, queijo, presunto, mussarela, maionese, manteiga, refrigerante, resto do almoço. Queria o que não queria. Tinha uma vontade muito grande de comer... de comer... de comer algo como... como... bom, de beber. Talvez quisesse algo para beber. Algo que não existia. Queria tomar um banho longo. Daqueles que se toma enquanto canta uma melodia triste e linda... como tudo o que é cantado com sentimento nos banheiros parece ser. Queria tomar um banho, seu corpo pedia um banho. Seus pés pediam um banho. Seus cabelos suplicavam por um banho. Algo, contudo, o impedia:
“Se eu entrar no banheiro e o telefone tocar? Pode ser que isso aconteça!” Antonio sabia... sabia o que lhe preocupava. Estava a espera de uma ligação que lhe foi prometida para após o almoço. Mas sabemos que após o almoço e antes da janta – tudo pertence ao mesmo espaço de tempo. Ligou a TV... folheou os canais... nada lhe prendia atenção: fofocas, filmes repetidos, receitas de bolo, vida de artista, marginal pinheiro... nada! Desligou. Achou por bem curtir o silêncio e nesse silêncio imaginar coisas agradáveis. Coisas que seu coração queria. Coisas que suas mãos queriam... mais que um banho, acreditem. Era uma tarde de outono. As árvores se desfolhavam na rua sem graça com casas mesmas e pessoas mesmas e coisas mesmas. Carros pastavam com preguiça! Sorveteiros buzinavam suas buzinas insuportáveis aos ouvidos de alguém que não tem mais a paz de antes no coração!
- “Música! uma música é sempre indicada em momentos como estes!” Antonio conhecia o segredo das músicas. Só as musicas têm o poder inigualável de trazer uma paz repentina ao coração. Uma paz capaz, como poucas coisas de mudar tudo... uma paz fugaz, mas paz é sempre paz. Foi até seu pequeno acervo de preciosidades. Nele se encontravam mestres como: Toquinho, Tom Jobim e Vinícius, Chico, Caetano, Sinatra e Louis Armstrong. Este último, a quem ele pouco conhecia, ainda assim, lhe impressiona muito. Vez e outra se pegava cantando “What a wonderful Wolrd”. Se identificava com a canção de mensagem esperançosa feita há muitos outonos atrás. Ele se lembrava com apreço disso.
O ano era 1967. Louis Armstrong emocionou o mundo com sua voz marcante unida a letra indescritível. Ele se lembrava muito! Embora em 67 tivesse pouco mais de doze anos. Colocou então a música para que seus ouvidos pudessem pela quarta década seguida se desfrutarem. Seus olhos se enchiam de lágrima e empolgado cantava:
“The colors of a rainbow.....so pretty ..in the skyAre also on the faces.....of people ..going byI see friends shaking hands.....sayin.. how do you doTheyre really sayin......i love you...”
Embora soubesse de cor e saltiado a letra. Teimava em abrir o encarte do CD para acompanhar. Gostava de tatear as palavras uma a uma. Palavras que dali se desprediam e buscavam seus ouvidos com alegria. Por um instante pequeno, não mais que uns três... quatro minutos sentiu-se estremamente feliz! “Quem dera as pessoas pudessem trazer essa paz como fazem as músicas”. – refletiu – “Há momentos que ninguém no mundo nos compreende como elas... Há momentos em que ninguém no mundo é capaz de chamar à vida. Nos fazer enxergar tudo isso”. Lamentava a essa altura. Queria que ao termino das músicas as pessoas pudessem refletir sobre elas... queria que as pessoas que as ouvissem extraissem o melhor delas e levassem essa paz ao coração de outras.
Queria que o mundo olhasse para tudo de maneira mais justa e coerente. Queria... mas nesse momento já não havia tanta coisa a que se lamentar. A prioridade era outra! Voltou a geladeira. Com uma paz desconfiada no coração. Aceitou que tudo, por mais duro que fosse, era assim... apanhou então as bandeginhas com presunto e mussarela, pegou no armário algumas fatias de pão de forma. Encheu o copo de refrigerante. E sentou-se para finalmente comer. Nesse instante, o telefone disparou a chamar. Deu um suspiro profundo. Olhou o relógio... e fez sua escolha, deu com os ombros: não vou atender! Não vou! Passava por momentos dificeis. Coisas e coisas lhe tiravam o sono. Podia ser uma notícia desagradável. Ele não queria passar por aquilo naquele instante. Precisava comer: “tudo o que preciso neste momento são de pessoas que me compreendam...” o telefone insistia... parecia estar mais alto e mais irritante. Mas ele prometeu: não vou! Fez um outro sanduiche e mordeu com prazer.
Mastigou de forma demorada. Como que apreciando cada segundo daquela paz que ele inventou.
(trimmmmmmmm, trimmm, trimmmm...)
E não parava de tocar! Ele se manteve firme! No fundo sabia que uma chateação qualquer poderia desfazer em um só segundo todo seu rito de paz!