sábado, 12 de fevereiro de 2011

Insensível















Minha inspiração foi roubada em uma determinada ocasião.

Subtraída. Apanhada. Furtada. Desfraldada. Desfalcada.
Arrancada, tirada, sem porque e nem razão.
Minha escrita que antes fácil fluía
Agora passa por um momento de agonia, dor, desgosto
Angústia, ansiedade, amargura, expiação.
As rimas ricas que me eram dadas facilmente agora me são raras
Infreqüentes, incomuns, desusadas, delicadas, e o pior: caras, muito caras
E além do mais são forçadas, pressionadas, impelidas, empenhadas,
violentadas, coagidas, obrigadas, constrangidas, compelidas,
acuadas, premidas, deprimidas, espremidas, comprimidas, apertadas, vomitadas.
As rimas pobres por outro lado são sempre mais difundidas,
lançadas, exaladas, esparzidas, espargidas, distribuídas, disseminadas, alastradas...
o ritmo que era algo que desde sempre me pertenceu
agora não mais me pertence, não me cabe, me concerne, me incumbe,
me compete, diz respeito...
olhar o poema do outro, antes era fonte de alento
agora nada mais é que puro ciúme, dor-de-cotovelo, despeito
inveja, cobiça, olho gordo, desrespeito.
Falta de ética, de sensibilidade... só pra apontar as falhas
E pôr defeito!
Por fim, me resta dizer que é superconstrangedora esta situação.
Mas por detrás dos panos sujos que nos escondemos
Somos todos nós: egoístas, mentirosos, imitadores, imperfeitos,
viciosos, corruptos, defeituosos, depravados,devassos, incorretos,
corrompidos, pervertidos, torpes, amorais/ imorais e desmoralizados.
Em busca de um pouquinho de amor que nos façam melhores...
No desenrolar do nosso enredo e no desdobrado de cada situação...
Na desenvoltura dos nossos atos que poderiam ser poesia e tantas vezes não são.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Jhonatan















Não vou dizer que não me entristeci

Que por um momento não até chorei
Não vou dizer que não lamento
Mas a vida caro amigo Jhonatan
Tem dessas coisas
Não vou dizer que não haverá sofrimento
Mas a vida caro amigo Jhonatan
Tem dessas coisas
Quero te dizer uma coisa dolorida agora
A dor que agora sentes, não é a dor ainda
Que tu, meu amigo, sentirás
Quando fores dormir, quando olhares o fogão na cozinha
Quando ouvires um pai nosso, uma ave Maria
Teu coração nessas horas te perguntarás:
Por quê? Deus? Quem é Deus?
Por que tem que ser assim?
Por que não com outras pessoas?
Por que comigo?!
Ah, caro amigo Jhonatan
Haverá apenas uma resposta:
É que a vida, querido Jhonatan, a vida tem dessas coisas
Não penses que tua mãe é a primeira
Não penses que será a ultima
Não penses que Deus te escolheu para que perdesses a mãe
Não penses que Deus inventou o câncer para levá-la
Não penses... não penses...
não questiones, não busques respostas...
A vida continuará e com o tempo perceberás que assim como a tua mãe
Outras mães seguem viagem constantemente
Com ar muitas vezes de dever cumprido
Com a beleza no rosto que só a mãe da gente tem
Outras mães, as outras não, caro amigo Jhonatan
Por fim espero que entendas que um dia partirás em viagem
Como as mães, os pais também deixam neste mundo seus filhos
E esses filhos um dia também deixarão... e assim será para sempre
Será assim sempre, caro amigo Jhonatan
Neste momento contudo, não recomendo que leias esta verdade
Não te servirás de consolo as palavras de alguém que nunca perdeu sua mãe
Eu, caro amigo Jhonatan, não estou vivendo a dor que certamente agora vives
Mas, se não chegar a vivê-la quem a viverá será a minha mãe
Porque dia a dia somos convidados a fazer a passagem
E um dia, um dia caro amigo Jhonatan, escutamos o que diz as palavras sabias de Deus
E estendemos as mãos, sem que os médicos que nos rodeiam na cama possam ver
E Deus nos leva pelas mãos, e nos coloca eternamente debaixo de sua proteção
Jhonatan meu amigo, a vida tem dessas coisas, um dia Deus te procurará
E quando tu ouvires a voz tremenda e ao mesmo tempo suave do grande rei da vida
Partirás para fazer a tua viagem e quem sabe caro amigo Jhonatan
Possas encontrar em algum cantinho do céu, aquele lindo sorriso de tua mãe
Esta certeza não poderei te dar neste momento, nossa jornada além-muro-da-vida
É um tanto quanto imprevisível, mas é assim que tem que ser, para não ser fraudada
Como tudo que há nesse mundo!
Deus sabe como encontrarás tua mãe
Pode ser que tu a encontres nos caminho desta tua mesma vida
Numa música que ouvirás, nos ensinamentos que levas contigo
Nos sonhos mais floridos, nos retratos mais doídos
Nas roupas, na comidas, nas igrejas, no sorriso de muitas outras mães
Ou na melhor das hipóteses, nos braços dela, no berço de Deus
Na eternidade, nas simplicidades das coisas perfeitas,
Pois a vida, caro amigo Jhonatan, a vida, tem dessas coisas!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Amém















que a brisa leve alcance teu coração
que todos teus sonhos se realizem...
desde que não machuque ninguém
que a verdade esteja sempre presente
nas tuas palavras
que mesmo sem saber para onde ir
não venha se desesperar
que nada atinja teus alegres sorrisos
que teus olhos vejam a pureza do amor
que nunca chore na primavera
porque tua alegria é tão bela quanto as flores
que todos teus sonhos se realizem
desde que não machuque ninguém
que você seja muito feliz, feliz para sempre, amém!


Janeiro/ 99

domingo, 23 de janeiro de 2011

Ames



Quando estiveres comigo... derrama além de lágrimas a poesia que me reservas.

Não guardes somente para ti sentimento tão bonito.
Amar é antes de doer-se, doar-se.
Para que tenhas acesso ao teu coração
É preciso entender quem Nele habita.
Para que tu possas te encontrar
E necessário que ceda espaço ao outro.
Teu íntimo pede a presença de mais um.
Ainda que queiras a independência neste momento: me ames; amor é complemento.
Quando as minhas atitudes te incomodarem e desejares o meu fim.
Me ames! Pois estarei para ti, como estás para mim.
Me amarás me conhecendo...
Quando não puderes mais deixar de pensar em mim.
Me ames escurecendo.
E quando me olhares buscando o porquê de me amar.
Me ames amanhecendo.
O amor é sorrateiro, contínuo, trapaceiro e infinitamente fugaz.
Quando julgares que não me amas. Me amarás bem mais...
Quando já não puderes mais sustentar tamanho sentimento.
Me entrega-o que procurarei por outro leito.
Mas saibas que enquanto houver motivo, pulsarei em teu peito.
Quando desejares não mais me amar, por medo de me perder.
Me ames com a pureza de uma criança: amor, além de tudo, é insegurança!
Quando o amor for para ti como um fardo pesado e ainda assim prazeroso.
Não me soltes!
E saibas que muito antes de me amares eu já te carregava...
Quando por falta de espaço desejares não me ver.
Entenda que, dos sentimentos, o amor é mais astuto e invasivo.
Quando acordares pensando em mim e desejares me ligar,
não resistas pois amor é como um vício.
Quando desejares não mais me ver por medo de se machucar.
Mais me procures. Amor pede sacrifício.
Abdicar-se de algo que precisa não é nada bom senão para o teu ego.
Quando impaciente desejares não mais me esperar. Tudo bem, eu me entrego.
Entre erros e acertos eu buscava a ti em cada investida frustrada.
E quando eu não mais couber em teus sonhos, me ames acordada.
Quando já não puderes me encarar sem a presença de uma lágrima.
Me ames e lança à mão todas estas angustias...
e antes de partir, abra todos os embrulhos que te trago no meu olhar.
Antes de ir... leia todas as palavras do meu coração.
Quando já não puderes mais entender...
Me ames pela irracionalidade que este sentimento pede.
Me ames na certeza de que enquanto me amares saberás onde estou
E quando houver dúvida. Me ames por aquilo que não sou!
Fecha agora este livro. Apaga a luz. Suspira fundo e vá dormir.
Esqueça todas as palavras que te disse acima. Pois amor não é cartilha.
Me ames da maneira que puderes. Ou não me ames. Amor é partilha!

sábado, 15 de janeiro de 2011

Razão














Já não sei em que mundo vivo
É tanta propaganda e tanto incentivo
Pra gente se destruir
Já não sei que parada é essa
Por que a guerra nunca cessa
Há ainda vontade de matar?
Já não sei ver teu sorriso
Já não sei o que preciso
Para não me destruir
Já não sei essa se razão
Que vem do coração
E escorre pelos montes
percorre ruas e pontes
Janelas e avenidas,
É a razão que salvará
Sobretudo nossas vidas!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Espelho, espelho meu















Diante do espelho:
Messias! Uma voz grita aqui dentro
Messias! Insiste a voz
Messias não responde, ele chora
Só consegue chorar!
E jogou a toalha fora
E jogou suas roupas fora
E jogou sua vida fora
E quis ir embora
E quis estar
E desejou estar... e um lugar onde ele, Messias,
Não o pudesse achar
E se olhou queixoso no espelho, queria brigar...
Só conseguiu, lamentar:
Messias! E se perguntou: por quê?
E pensou aquilo que se pensa:
Por quê? O que eu fiz! O que há...
E jogou tudo fora
Mas algo ainda o acompanha
Algo sempre fica, algo sempre mora
A dor é a ultima a sair, dá voltas, faz shows... enrola
Seu corpo nu e branco vai se atirar na cama
Feio, bonito... mas ele! O corpo que ele tem!
Algumas músicas chegam para entendê-lo
Musicas que só ele pode ouvir
Alguns diálogos o chamam para algumas responsabilidades
E nesse mar nostálgico, claro, as lágrimas batem cartão
Mas as lágrimas cessam...
A dor mais triste é seca!
Messias! Uma voz grita dentro da cabeça
Messias, você me enganou!
Messias, você se fez passar por alguém que não era
Você nunca foi aquilo que me mostrou
Messias, por quê? Você sempre foi uma história mal contada
Que eu... que nós, que todos nós, líamos sem cessar
Messias, você, que não existe... e, é você que amo
E, Messias, essa dor da tua não existência
Que me causa um amor desamado, tende a não passar!
Porque há uma voz que surge dos teus mais profundos pensamentos
Que me diz, que me acusa, que me clama: Messias, por quê?
Te amaria Messias por tudo que não é
Mas me fizeste amar alguém que você inventou
Todas as dores eu suportaria Messias
Mas agora, perante tua face limpa
E confesso que, até bonita, a esperança se calou!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Cautela















Pensa o que que quiseres
lembra do que desejares
recorra ao que te possas dar o que não mais poderei
Não te perturbes com meu silêncio...
não me busques no óbvio,
quando posso estar em Marte, Júpiter ou Vênus...
Eu me calo ao passo que meu silêncio grita, berra, reclama
a injustiça que às vezes não percebemos...
falar pra quê???
quem fala menos, erra menos!!!

domingo, 19 de dezembro de 2010

Sementeiro



















Sofro a todo do mal das palavras
Falo o que penso, sem senso nenhum
Sou sementeiro que o teu solo lavra
Minha enxada é a palavra, do senso comum
Minha sabedoria não é cientifica
Minhas idéias
não são comprovadas de maneira nenhuma
Minha certeza só vem da vitória,
Inferno, purgatório ou gloria
Depende da banheira, depende da espuma...
Minhas verdades são ácidas
Minhas frases irônicas e provocativas
Minhas canções percorrem linhas plácidas
Mas minhas músicas são significativas
O meu falar é repleto de erros
Sou, quando tento ser preciso, principiante
Me falta a rima para a palavra acima
E rimar não me anima, nem nada, neste instante
Sofro a todo do mal das palavras
Luto com elas e não posso vencê-las
Falo o que penso, sem senso nenhum
Sou a minha verdade rebuscada e embaralha
Escolha sua carta, descarte ou passe
Me truque, me enlace, com seus truques de mulher
Me diz o que quer! sou todo ouvir...
Me diz e eu falo ao pé do seu ouvido
Sou dono das palavras e com elas eu duvido...
Me espere, se desespere e tente escapar
Olha o baralho, ainda queres jogar?
Sei não, não sei... te intimido?
Lucidez e loucura se confundem por aqui
Gloria, purgatório ou inferno
Depende da camisa...
... de força? ou gravata e terno...?

domingo, 12 de dezembro de 2010

Agramatical



















Às vezes eu não quero pontuar as frases Nenhuma Nem as interrogativas vão me questionar Não, nem elas! às vezes não uso maiúsculas! as vezes eu nao quero por todos os acentos mas temo que pensem que nao sei acentuar. Por, vezes, não me, incomoda, a falta das vírgulas, e, ainda, prefiro dizer, que prefiro a ausência de uma vírgula do que o seu emprego indevido em uma frase oração subordinada substantiva objetiva direta completiva nominal adversativa causal conclusiva explicativa coordenada assindética por justaposição ou sindética aditiva adversativa cujo ser porventura possa ter esquecido ou talvez quem sabe só desistido de usá-la. Ah sim, falava sobre vírgula!


Mas vou confessar que eu só queria de volta, ao menos, o trema... ü!

Às vezes luto contra um anacoluto... e por mais que o sol brilhe. E você ame Diana... Diana, Fala Diana, fala que eu te escuto!

Às vezes não me importo em repetir várias vezes a mesma palavra em várias partes de um mesmo parágrafo de texto ou em várias coisas que eu escreva... ou mesmo em todos os parágrafos do mesmo texto! Às vezes me importo muito com isso e não tenho outra palavra para pôr no lugar... ainda que vasculhe meu léxico inteiro...

Sometimes eu uso alguns estrangeirismos. But... not always! Às vezes me importo muito com isso e não tenho outra palavra para pôr no lugar... ainda que vasculhe meu léxico inteiro... e às vezes eu repito frases!

Às vezes eu não dou importância aos conceitos de paragrafação que me ensinaram ou não na escola.

Não mesmo.

Nem ligo!

Às vezes dou bola e às vezes não dou bola...

Às vezes me irrito quando repito ou sou pressionado por força do hábito a rimar... às vezes não me importo com esta indelicadeza e até enxergo beleza onde não há... às vezes uso muito às vezes mas nem em todas as vezes preciso de acentuar... às vezes faço rimas no infinitivo que é o maior incentivo àqueles que não sabem rimar. Às vezes eu quero que nada rime. Odeio combinações que combine com que não se deve combinar... às vezes sou redundante e supérfluo, re-explicando o sentido de tudo que já ... que já... às vezes sou tão reticente que... dou a entender... que... que não sei... bom, sei lá...

Às vezes não concerto (conserto) os meus erros, deixo tudo como esta (está) ... às vezes quebro todas as regras impostas... noutras acho que tudo é proibido. Às vezes sou tão metafórico que deixo de ser humano e me torno a própria palavra. Noutras penso que sou o Messias, literalmente! A palavra se fez carne.

Às vezes sou tão antítese que sou a mais coerente das pessoas.

Às vezes sou tão aliterado que isso sem, que se perceba, soa super sem graça.

Às vezes sou tão silogista, (e por vezes até Neologista) como Sócrates. Sócrates morreu,

Sócrates era Silogista

Logo...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Monólogo Final















Eu que tantas vezes perdi meu olhar na imensidão dos teus olhos
Que por qualquer motivo se mantinham fixados nos meus...
O que te dizer neste momento minha querida?
Se qualquer palavra que pudesse sair por detrás deste bigode suaria falsidade
O que te dizer nesta hora tão inoportuna e claramente desagradável
Se a serenidade destas minhas palavras já não a podem convencer a trilhar um caminho mais consistente?
O que te dizer em uma oportunidade como esta...
Se minhas atitudes falam muito mais do que qualquer olhar de reprovação que eu possa te lançar?
O que te dizer a essas alturas da vida, se todas as minhas palavras soam derrotadas?
Como te aconselhar, ou mesmo oferecer meu ombro amigo, tendo sido tão incapaz de lhe expressar qualquer sentimento de carinho?
A frieza tomou conta de todos meus gestos
Nada mais aqui é emoção;
Passei a agir com uma racionalidade que me faz acreditar que não há mais cores no mundo
Que tudo é exato como dois e dois são quatro
Me falta a emoção nas palavras para tentar lhe convencer
Me falta sensibilidade para te dizer o que é certo e errado
e fazer você acreditar que estou sendo o mais sincero possível,
que minhas frases, todas com ar de decoreba estão sendo realmente
o que se acredita dentro do peito experiente de amigo amado, pai, irmão mais velho...
Que quer o melhor pra você!
O que te dizer nesta hora, se minha cara lhe chama a uma realidade mentirosa, mesquinha
Se tudo o que eu possa lhe dizer que é correto, só me faz acreditar no quanto sou hipócrita
Que quando me trancar no quarto, vou me matar de uma tristeza, que de tão terrível não me permite nem sequer chorar
Pois nem mesmo meu choro é verdadeiro, e minhas lágrimas sabiamente não se curvam a tamanha mesquinharia
Pois bem, sendo eu este ser, tão terrível que se esconde por trás de palavras que parecem tão concisas, do fundo do meu coração e com a maior sinceridade que posso buscar dentro de mim
Só posso lhe dizer para que siga o teu coração
Siga-o, enquanto o tens, pois na tentativa de não me expor, de não me frustrar, de não me envolver, de não errar, de te manter segura, de me salvar...
De não sofrer... e não magoar
me tornei tão racional na vida, que nem coração eu tenho mais...
estou saindo por esta porta, antes que as proporções deste monólogo se tornem duras demais
estou saindo agora, para que minhas atitudes, ao menos uma vez na vida valham mais que as palavras
e que nem eu, e nem você tenhamos que olhar nos olhos do outro, e dizer o que nós dois sabemos há muito tempo: acabou!

sábado, 27 de novembro de 2010

À namorada que não tenho



















A namorada que não tenho
Me pega sempre de surpresa
Me olha na rua
E me deseja e me não deseja
A namorada que não tenho

A namorada que não tenho
Não me liga
Não me manda flores
Não me deseja feliz aniversário
Não faz versos
Não compõe amores
A namorada que não tenho

Não me olha como quero
Não me abraça como preciso
Não faz nada que faz namorada
Oh Deus que namorada errada
Essa namorada que não tenho

Ahhh e não sabe nem quem eu sou
Não se preocupa se bem ou mal estou
Não me dá um presente e não se faz presente
Não me pinta em desenho
Não tem uma música comigo
A namorada que não tenho

e... Não se perfuma para mim
Não se depila
Nem sobrancelha, nem axila...
A namorada que não tenho

Não vê prazer em estar comigo
Não vai comigo ao cinema
Não conhece meus amigos
Não me percebe feliz ou triste
Não sabe dos meus instintos
Aliás nem sabe que eu existo
A namorada que não tenho

A namorada que não tenho
Não sabe aonde estou indo
Não sabe, e por isso não se encontra comigo
Um dia a gente se cruza,
Venha e me avisa...

Venha como a brisa, vem e me abusa
A gente se aquece, se esquece, te uso, me usa
Me encontre, me beija, beijo de lua cheia, na chuva
Estarei sempre voltando de onde venho
e nessas idas e vindas te encontrarei
namorada que eu não tenho!

sábado, 20 de novembro de 2010

Mal-me-quer...



















Corre a moça sem rosto no campo repleto de flores
Campo repleto de flores repletas de pétalas de mal-me-quer
Corre a moça sem braço pelo campo
Com as mãos que não posso ver
Cheia de coisas que imaginem
Não se pode ter!
Cheia de sonhos que não podem ser...
Corre a moça cheia de sorriso pelo campo
Campo que já não se pode capinar
Corre a moça sem pernas ao encontro
Ao encontro de um abraço
Que não a encontra no ar
Em um lugar que ela, ela não está
Corre a moça sem joelhos
Sem olhos, sem seios
Sem quadris... corre feliz
Embora sem vida, corre com flores na mão
Dores no coração
Sonhos de uma outra estação
Vida em outra dimensão
Corre a moça.
Sem moça, ela corre...
Corre pra vida, corre pra morte
Corre pro prazer e não vou rimar minha sorte
Corre por correr e correndo tropeça
E, por favor, moça não me peça
Que eu vá lhe socorrer
Sim moça, que um dia correu de mim
Nunca me foi mulher
Corra pra quem quiser
Corra! Ou morra, moça que não conheci
E que não existe. E ainda assim persiste
Em passar por mim todas as noites...
Deixar teu perfume. Malícias, chicotes, açoites...
Mas corra, para o que der e vier
Corra pra outro... com flores de mal-me-quer!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Mancha



















Queria uma canção pra mim
Que falasse um pouco
Do que me sobra além da nostalgia
Queria uma canção pra mim
Mas ela derrubou sobre a toalha branca
A taça de vinho
A taça se quebrou, a toalha se manchou
Seus dedos se feriram
Como dedos que se ferem no espinho
Queria uma canção pra mim
Não tenho, canto sozinho

domingo, 10 de outubro de 2010

Excêntrica













Põe-se sob o olhar da lua a vagar sem rumo
Toda de branco contempla a vida noturna
Pés descalços pisam passos desconhecidos
Sorrisos incontrolados sugerem a tua fortuna

Onde mais na terra teria meu corpo lugar mais aquecido?
Deitado olhando o teto não vejo na vida razão nem sentido
Quero a tua extravagância presente ao meu lado
Seu jeito esdrúxulo a me notar repetido

Enquanto aqui a solidão me pesa sobre as costas cem quilos
Corres na areia duma praia desértica e inexplorada
Os coqueiros te olham e te admiram, o vento bebe da tua boca o vinho
E eu, não bebo miséria nenhuma

Teu riso se transforma em lágrima repentinamente
E ondas noturnas de um mar de ressaca se encontram com a tua
Ainda resta vinho na garrafa; a alça da bolsa incomoda
E essa é descartada – Caída na praia ama agora a lua!

Excêntrica! Excêntrica-doida-desvairada!
Excêntrica dor que um dia me mata
Biruta, exótica, esquisita – eis minha vida:
do vinho do prazer ao regurgitar da ressaca!

sábado, 21 de agosto de 2010

O outro


Antes eu pensava:
O que não sou eu é o outro
Hoje, não mais...
Eu sou o outro
Porque me visto pro outro
Me comporto pro outro
Me penteio pro outro
Me engordo/emagreço pro outro
Leio para dividir
Vejo para comentar
Penso, para falar
Pra mim? Não pra falar pro outro
Antes eu pensava
O que não sou é o outro
Hoje eu penso: quem eu sou?
E respondo, se sou o outro
Eu é algum outro
Que se veste para mim

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O Filho pródigo às avessas


O relógio velho e antigo de parede no corredor badalava quatro da manhã, quando o jovem Romualdo, chegou em casa de uma festa acompanhado do amigo Pedro. Na cama se remexeu a mãe. Olhou pro pai e disse: - “Isso são horas?”
O pai resmungou: - “Relaxa Isaura, ele é homem.” Romualdo e o amigo que se excederam um pouco na bebida, não viram a hora passar e extrapolaram o café da manhã daquele domingo e quase atingiam também o almoço. De repente abre o olho Pedro: “Putz, que horas são?” Sem resposta alguma. Romualdo roncava em sua cama. Pedro se contorcia no colchão jogado no chão. Sim, pois a essa altura já não se podia dormir. Havia gritos e discussão vindos dos cômodos externos.

Tudo porque a irmã do Juninho havia encontrado um papelzinho de preservativo no quintal. E todas as hipóteses e desconfianças pareciam apontar para Romualdo Martiniano Junior. A irmã junto com a mãe na cozinha, pensavam em várias coisas, tentando, indignadas as duas, descobrir a origem de tal objeto.

A mãe tentou amenizar: “Esse portão não é nada seguro, quem garante que alguém não entrou aqui?” A irmã envenenou um pouco: “Pra mim essa amizade do Ju com esse Pedro é muito estranha! Esse cara não é aquele já foi até casado e não durou nada?! E o Ju... nunca vi com mulher nenhuma.” A ofensiva da irmã botou a mãe pensativa... a ponto de queimar as pontas dos seus dedos no fogão: “Ai, mas você hein minha filha...” - a mãe chacoalhando os dedos debaixo da torneira – Enquanto a água caia dona Isaura contestava: “Não é assim Letícia! Juninho disse que o Pedro mora na saída da cidade e é por isso que ele dorme aqui. Quando chegam tarde, não tem mais horários de ônibus para lá. Afinal Letícia, onde você quer chegar com essas suas insinuações? Você fala como se soubesse algo que não sei.”

- Ah... eu não sei não! Juninho anda muito estranho. Com uns amigos todos...

- Todos o que Letícia? Fala de uma vez!

- Esquisitos mãe! Nenhum trabalha, nenhum namora, nenhum estuda! Mãe, a senhora já parou para pensar... que... esses dois aí, podem estar até usando até drogas? E essa embalagem de preservativo agora no nosso quintal! Muito estranho isso. Sabe-se lá o que fazem por aí...

- Crendeuspai! Ave Maria, Nossa Senhora da Penha! Vira essa boca pra lá!

- Se eu fosse você eu pegava isso aqui – empunhando a embalagem de preservativo qual espada justiceira - e tirava satisfação com eles assim que levantarem, antes que isso chegue aos ouvidos do meu pai.

- Letícia você está exagerando! Respeitei seu irmão!

- Quem deve nos respeitar é ele. Se prestando a um papel destes! Por Deus não foi o papai que achou esse papel de camisinha no quintal...

“Achou o que minha filha?” – esbravejou o pai que entrava pela porta.

– Você disse camisinha? Não acredito que nosso filho anda trazendo mulheres para fazer ‘sem-vergonhices’ aqui no nosso quintal! Que pouca vergonha!

- Queria acreditar que fosse isso! – deixou escapar a irmã sem perceber. Ou não.

- É o que então?

- Por que o senhor não vai mesmo conferir no quarto dele?!

A conversa se estendeu e a discussão agora a três se esquentou muito daí pra frente. O veneno parecia escorrer boca abaixo de Letícia que, nunca havia se dado bem com o irmão, mas desta vez conseguiu se superar. O pai já suava frio de nervoso como sempre. Era um senhor muito sistemático e em alguns assuntos até um pouco ignorante e preconceituoso.

– Não, não! Não pode ser isso que estou pensando! Isaura tomou pela mão direita um copo com água e o comprimido calmante que Romualdo vivia a tomar. Na outra mão, um pano para limpar a testa do homem que não quis nem saber de mais nada e saiu atropelando tudo:

- Me dê isso aqui que eu vou ensinar esse filho da mãe a virar homem e é agora!

- Abre essa porta! Aaaabre! Abre essa merda Romualdo, vai ser pior pra você se não abrir!

Juninho, sem entender o que acontecia do lado de fora, se sentindo envergonhado pelo temperamento do seu pai diante de sua visita, tentou acalmá-lo:

- Pai, isso é jeito de bater na porta? Não sabe que tenho visita?

- Visita... visita!!!... Ouvir isso irritou o pai profundamente! Se havia um pouco de lucidez em suas atitudes, estas se perderam nesse instante! Essa frase foi a gota d’água para o pai que, arrombou a porta e sequer deixou o filho falar:

- O que vocês pensam que estão fazendo seus ‘viadinhos’? Eu não te dei de comer e onde morar até aqui pra você me traaair deeesse jeito! Lançando ao chão livros e quadros, gritava como um louco com um ódio terrível em seu olhar rude de general.

- Paaaiii, o que foi que fiz?! – Ainda sem entender, o jovem. Mas o pai não parava:

- E pensar que dei meu nome a você, seu desgraçado! Eu tenho nojo de você... Qual dos dois é a mulherzinha, hein?! Faaala! É você? É você... Seu, seu... seu... Meu próprio filho... me desonrando desse jeito (...) O pai perdia as palavras. Queria chorar, queria matar, queria mesmo era morrer naquele instante.

- Mas pai...

- Não me chame de pai! Cale a boca! – atirando um sapato contra o filho, acertou o espelho, que se quebrou em muitos pedaços feriando o braço de Juninho. Já tirava a sinta grossa de couro curtido quando Pedro se levantou afoito e tomou o rumo da rua sob vaias e protestos da família. Alguns vizinhos ouviram também e ficaram boquiabertos. Outros debochavam: “Que família, hein.” Enquanto disfarçavam nas janelas, puderam, os mais curiosos, presenciar também, a humilhante cena das roupas e pertences do rapaz serem arremessadas com todo ódio do terraço para o meio da rua.

O filho chorava muito: “Mããããããnhê... paaaaaaai, pelo amor de Deus! Não é nada disso!” O Pai revoltado, deu as costas puxando a mãe para dentro de casa. A mãe ainda confusa, mas totalmente submissa ao marido, nada fez. Entraram.

Neste mesmo instante uma chuva forte se iniciou. O velho Romualdo, como sempre, xingava tudo quanto podia ver. Portas, pessoas, controle, cachorro, nada era poupado. Encheu a cara com doses fartas de Uísque barato. E atirou-se na cama como um urso que se prepara para embernar. Era pra ele a melhor forma de passar um dia terrível como aquele.

Passadas algumas semanas, veio o arrependimento. Mas ninguém em casa queria admitir que não foi feita a coisa certa. A mãe já sentia muita saudade do filho, que fosse o que fosse, era filho e, sempre fora muito prestativo e carinhoso. Chegava a sonhar com ele voltando. A saudade fez com que ela, depois de uns dias, buscasse nas coisas que sobraram do jovem, um meio de tentar sanar aquela ausência dolorida. Abriu então a gaveta e em meio aos seus pertences encontrou uma carta. E em um trecho dela dizia: “Te amo muito meu amor! Agora já estou de três semanas! Quero que conte também para seus pais a novidade, não vai ser tão difícil assim”.

A mãe tremula, ficou roxa, verde, azul e chorou copiosamente! O pai limpava a beira da casa. A mãe foi ao seu encontro com a carta nas mãos. Como no dia da expulsão, uma forte chuva de verão se aproximava. Ventava muito forte. O vento trazia de longe folhas, papeis e tudo o que se imaginava. E de repente, o pai vê o vento trazer do telhado ao lado uma embalagem pequenina. E não quis acreditar na hora! Sim, era uma embalagem de camisinha, só que dessa vez de menta!

(...)

E hoje, em algum lugar, onde a paz e o amor ainda encontram espaços para persistirem, o filho de Romualdo Martiniano Junior nasceu. E junto de sua namorada, o jovem enfim, formou uma FAMÍLIA!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

À ela


Se tivesse apenas uma palavra: alegria
Mas tenho todas as palavras do mundo
E enquanto tiver tempo
Dedicar-me-ei a ela a cada segundo
o sorriso é absoluto no rosto sereno
e não deixa espaço para uma única ruga sequer de preocupação
ela é labirinto; poucos sabem se achegar ao seu coração
o sorriso é absoluto
e não deixa espaço pra nenhuma forma de tristeza
o coração é enorme
e mais forte do que a rima é sua própria grandeza
ela é carinho, seus olhos brilham quando está feliz
e como ela se apresenta feliz
nela não há alterações de humor
nos dias de sol, chuva e estrada
nas noites de lua cheia, dilúvio e caminhada
nunca a vi nervosa, revoltada, ou brava
embora não me falte rimas para convencê-la
para descrevê-la já não tenho palavra

domingo, 8 de agosto de 2010

Melhores dias


As vozes a noite são mais surdas
A vida a noite é mais bruta
Os gritos a noite são mais loucos
Os roncos a noite são terríveis
Os grilos a noite são cantores
Irônicos cantores de terrenos baldios
São sons da noite fria
As estrelas a noite são tão lindas
A solidão a noite me visita
Algo me chama pra vida
A noite eu busco saída!
As casas a noite são escuras
As noites acordadas, aventuras
Tristeza
Sorrisos
Alegrias
E é a noite
Que se vive os melhores dias!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

InSegura


A menina insegura, já não segura o coração
Já não segura, já não controla, já não comanda
Não, o coração já não lhe pertence
Como quem diz senhor de si: você não me manda!

Arrumou as malas e foi morar em outro peito
Talvez roubado, talvez a força... talvez entregue
Mas agora, bate o pé contra as ordens dela
E fazendo seus inúmeros caprichos segue...

Agora aprendeu a ser independente
E experimentar a sua palavra: liberdade
bate onde quer e para quem quiser
só não confunda liberdade com libertinagem

O seu coração agora procura, busca, vive
Por outro peito, por outra razão
Agora segura, menina insegura
As vontades do seu coração...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Poesia simples


Avise-me quando estiver amando, aí saberei onde estou indo...
Você que não acredita no amor, o que prefere meu amor?
Avise-me quando o chão não quiser mais sustentar seus pés
Você que não acredita no amor, aonde vai com tanta pressa?
Avise-me quando quiser um abraço daqueles capazes de trazer
A vida para mais perto de nós
Avise-me quando quiser chorar
E então te darei a minha mão
Avise-me quando precisar sorrir
E então te ligarei de madrugada
Você que não acredita no amor,
Leve contigo esta flor
E um dia quando de repente parar
E respirar um pouco de vida
Lembrar-se-á de mim
Mas não saberá por onde eu ando
Mas avise-me e não deixe de me avisar, quando estiver amando!